No primeiro artigo, tratamos da desmistificação do Big Data. Neste artigo, meu objetivo é explicar um termo geralmente menos ouvido, mas igualmente relevante para o setor de biorrefinarias: a Internet Industrial das Coisas (IIoT). Antes de começar a entender a Internet Industrial das Coisas (IIoT), vamos ver o que é a Internet das Coisas (IoT). Às vezes descrita como ‘comunicação entre máquinas’, a IoT significa basicamente transferência de dados. Ela descreve a capacidade das máquinas (coisas) de se conectar pela internet. Esta conexão permite que os dados sejam coletedos e trocados de maneira que as próprias máquinas consigam tomar decisões com base nos dados.

Os dados são coletados por sensores nas máquinas, o que significa que qualquer máquina com sensores (de aparelhos eletrodomésticos a máquinas industriais) tem potencial para fazer parte da IoT. Quando aplicada à produção no contexto das máquinas industriais, essa conectividade é chamada de Internet Industrial das Coisas (IIoT), e como ela é considerada a força motriz por trás da próxima ou quarta revolução industrial, também é conhecida como Indústria 4.0. De uma forma bem simples, a IIoT consiste em computadores e máquinas (ou sistemas ciberfísicos) que se comunicam entre si para descobrir, analisar e solucionar problemas em processos com antecedência, com o mínimo de supervisão humana.

Descentralizando a tomada de decisão

Nas fábricas ‘inteligentes’ viabilizadas pela IIoT, computadores e máquinas totalmente conectados monitoram os processos físicos da fábrica e tomam decisões independentemente de qualquer sistema de controle centralizado. A tomada de decisão descentralizada possibilitada pela IIoT oferece potenciais benefícios evidentes em todos os ambientes de produção. Isso inclui redes elétricas inteligentes que conciliam a geração de energia com as cargas, economias com a manutenção preditiva e linhas de produção automatizadas que aumentam o rendimento. E para a maioria dos setores, os sensores são a chave para a implementação da IIoT.

Aumento da produtividade e redução de resíduos

Um exemplo é o do setor automobilístico, em que a Bosch utiliza atualizações de status contínuas coletadas por sensores para alcançar um aumento de 25% no rendimento da produção de seus sistemas de freios automático (ABS) e no programa de estabilidade eletrônica (EPS). Ao comparar as atualizações de status com as simulações do sistema funcionando com 100% de eficiência, as falhas de eficiência podem ser rapidamente identificadas e solucionadas. Enquanto isso, na divisão de fabricação de ferramentas da Audi, a tecnologia de autoaprendizagem (self-learning) emprega sensores para medir a quantidade de material inserido na prensa e se ajusta automaticamente quando as medidas estão fora de um intervalo definido, reduzindo, assim, o número de peças rejeitadas.

Caminhando para as biorrefinarias ‘inteligentes’

Se a coleta de dados por sensores é a chave para a IIoT, a importância da IIoT para as biorrefinarias é óbvia. Conforme explicado por Frank Moore no artigo anterior desta série, as usinas de etanol usam sensores para coletar e analisar grandes volumes de dados todos os dias. Atualmente, todos os dados coletados são transferidos para um equipamento de controle central. IIoT significa desacoplar as máquinas das aplicações (como um equipamento de controle central), ou seja, fazendo com que elas se conectem diretamente à infraestrutura e, com isso, entre elas também. Em um relatório da GE sobre os benefícios em potencial da IIoT em vários setores industriais, foram identificados tipos de máquinas específicos para os quais a IIoT poderia ser relevante. Sob a classificação ‘máquinas rotativas críticas’ em usinas de etanol, o relatório identificou os sistemas de manipulação de grãos, transportadores, evaporadores, refervedores, secadores e motores como máquinas que ‘podem ser monitoradas, modeladas e manipuladas remotamente para oferecer segurança, aumentar a produtividade e a economia operacional’. A lista, embora extensa, é apenas uma pequena parte do cenário, pois qualquer máquina com sensores instalados tem potencial para fazer parte da IIoT e praticamente todas as etapas de processo em uma usina de etanol usam sensores. Isso dá às biorrefinarias um potencial real para aderir a outros processos de produção ‘inteligentes’ e colher os frutos da quarta revolução industrial.

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Anders Drud Olsson

Gerente sênior at Digital & Analytics Management da Novozymes
Anders traz mais de 10 anos de experiência no campo digital em seu trabalho com serviços digitais na Novozymes para o setor de biocombustível, no qual ele atua há mais de dois anos.

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